Moda consciente em evolução

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Sempre fui muito ligada a moda, ou pelo menos sempre, desde que parei de usar calça larga e tênis com cadarço colorido amarrado na perna, acho que uns 12/13 anos por aí. Foi mais ou menos nessa época que descobri o encanto da moda, e o que ela poderia fazer por mim.

Minha história com a moda mesmo, começou quando minha mãe me colocou em um curso de modelo e eu virei menininha, dessas fofas que usam cor-de-rosa e lacinho. Aprendi a andar com postura, o que era e como ter etiqueta, e todas essas coisas de menininha. Nessa fase comecei a me apaixonar por roupas, sapatos de salto alto, bolsas e todo esse consumismo que a moda nos proporciona a cada nova coleção, ou seja, todos os dias.

Mas até que ponto esse consumismo é bom? Até que ponto não entramos na fase do consumo exagerado? 

Depois de ouvir meu pai falar muitas vezes “isso é muito caro”, “quantos pés você tem?” ou “você precisa disso mesmo?”, e claro, de começar pagar minhas contas, aprendi que o consumo exagerado não me fazia bem. Muitas vezes eu gastava sem poder, gastava até sem saber se realmente queria aquela peça, e o pior, gastava sem precisar. Era um consumo desnecessário, daqueles que a gente tem roupas com etiquetas no armário após seis meses da compra. Eu precisava realmente daquilo? Sempre me perguntava isso nesses momentos, e só assim passei a entender um pouco mais sobre a tal moda consciente.

Com a cabeça um pouco mais no lugar, ouvi do meu irmão um dia “seis meses sem usar, doa”. Foi um processo difícil, no começo tirava uma blusinha, mas depois da décima doação, já estava chegando em instituições de caridade com sacolas de roupas e sapatos.

Já com uns 17 anos, precisava de um dinheirinho e não trabalhava, então continuei doando muitas peças, mas também comecei a vender as minhas roupas. Foi aí que descobri meu apego por brechós. Sempre temos um pré-conceito com brechó: roupa velha, suja, fedida. Então anota o que eu vou te dizer: brechó é tudo isso sim, mas tem que saber escolher, tem que ter tempo, tem que ter paciência. Brechó vai muito além disso, brechó é história, é viver coisas e épocas que você jamais poderia viver, pois não era nascido, muito menos plano para nascer e chegar nesse mundão.

Me apaixonei por brechós. Tenho roupas de marcas caríssimas – vulgo roupas que jamais teria comprado - como Dior, Chanel, Louis Vuitton, etc. E desculpa quem discorda, mas amo minhas velharias de marca, porque é uma história incrível que eu jamais saberei por completo, mas que eu posso sentir em cada uso, e melhor que isso, que paguei menos de R$100 reais.

Uma coisa eu percebi nesses 10 anos garimpando em brechós, e posso afirmar sem dúvida, no Brasil ainda não é tão comum para determinadas classes sociais se engajar na compra e/ou troca de roupas usadas, e isso é completamente aceitável, visto que cada um possui seu jeito de ser e pensar. Mas isso não importa, porque o movimentos dos brechós está ganhando força a cada dia que passa, e o mercado além de estar crescendo cada vez mais, está também se reinventando.

Moda consciente em evolução, é o que eu chamo de trabalhar a própria mente. É um preconceito que temos dentro de nós mesmos de que são coisas velhas e usadas, se permita ser e pensar melhor do que isso. Se de permissão de viver esse universo de brechós, dê mais por eles, afinal aquela peça sustentável é aquela que já existe e está esperando uma segunda chance.

Se você não é muito fã de comprar looks de segunda-mão em brechós, bazares beneficentes ou afins, não se limite e experimente, é garantido: depois de começar, não quer mais parar.

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Comments ( 2 )

  • Eu amo um brechó, acho que é o melhor lugar para encontrar roupas bacanas por um preço justo. Acho um absurdo o preço que algumas lojas põe em uma blusinha, sério, R$80,00 uma blusa fininha e transparente? Pode notar que eles devem ganhar uns 200% de lucro porque quando sobra peça eles fazem liquidação e vendem elas a R$19,90 (que seria o preço justo, na minha opinião).
    Em brechó a gente encontra variedades bem baratinhas, agora que está ótimo ir em brechó por causa da moda retro, os jeans moms que voltaram com tudo! To louca pra ir no brechó vender umas calças minhas que tenho aqui e não uso, ou trocar por peças que me podem ser mais uteis.

    Beijos, Carol | Pink is not Rose

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