O corpo é meu, o respeito é pra todos

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Não sei dizer quantas vezes comecei crônicas dessa forma aqui, mas não vejo outro meio de começar essa a não ser perguntando: “onde vamos parar?”.

Não teve ataque.

Não teve agressão.

Não teve violência física.

O que realmente não teve, foi respeito. Dessa vez ou de todas as outras vezes que isso já ocorreu, ou de todas as próximas vezes que isso ocorrerá - porque sabemos que essa não foi a última, e é horrível ter essa consciência -  não tem respeito!

Do que adianta a mulher ser glorificada no Dia da Mulher se nos outros 364 dias vivemos com medo, com agonia de entrar em um ônibus ou metro para ir trabalhar. De que adianta rosas e ursinhos de pelúcia se vivemos sem saber se amanhã sofreremos um “atentado ao pudor” enquanto andamos na rua.

É tão ridículo viver em um mundo onde vive livre quem ataca e vive preso quem é atacado. É tão absurdo passar calor porque não se pode usar um shorts um pouquinho mais curto porque está “se mostrando”. É tão desnecessário comprar aquela blusinha linda com um decote um pouco maior porque sabemos que na primeira usada vamos nos arrepender com os olhares que estão nos despindo.

Até quando a mulher será vista como um produto na prateleira? Como um objeto sexual? Não estou generalizando, graças ao bom Deus, existem homens que sabem respeitar e por isso merecem nosso respeito. Mas até quando vamos evitar usar o que queremos, ser quem somos, fazer o que temos vontade, lutar contra esse machismo pelo simples fato de termos nascido mulher?

É ataque SIM. É agressão SIM. É violência física SIM. Não importa se estava perto ou longe, encostou ou não, passou a mão ou só olhou, é SIM uma forma de assédio. 

Uma sociedade que considera uma mãe amamentar seu filho em ambientes públicos uma falta de respeito, mas não considera ser surpreendida com um jato de ejaculação um ato de constrangimento?

O que não entra na minha cabeça é uma lei de 1900 e bolinha que ainda está com uma multa com um valor em réis. RÉIS? No Brasil essa moeda já foi substituída duas vezes; em outubro de 1942 pelo cruzeiro e depois em julho de 1994 pelo real. Quantas mulheres precisaram sentir uma ejaculação não provocada e principalmente, não desejada, até que alguém tome alguma atitude e que essa lei seja revista e alterada conforme situações atuais?

“A mulher ficou bastante nervosa e traumatizada”, mas afinal, qual outra reação ela poderia ter? Não cabe a mim julgar ninguém, mas o mínimo que eu esperava é que a justiça o julgasse., visto que o próprio acusado afirmou que não era a primeira vez que isso acontecia. Fato que também não seria a última. O que mais me indigna, é libertar um homem que age dessa forma, sem nem sequer parar para pensar que poderia ser sua mãe. Sua irmã. Sua esposa, e pior, sua filha a vítima. 

Ordem e progresso, não vejo um muito menos o outro. O que o mundo precisa é aprender a se colocar no lugar do próximo e pensar “eu gostaria que alguém fizesse isso comigo?”, nesse caso “eu gostaria que alguém libertasse o cara que ejaculou na minha filha?”. Porque, desculpa a falta de respeito com as autoridades, mas eu imagino que os envolvidos nessa falta pela justiça, não devem ter mulheres em casa, ou pior, não se importam.

Sinceramente, quando vejo casos como esse sinto vergonha alheia pelo país que nasci e vivo, porque esse não é o Brasil que eu me orgulho e represento!

A Brazil fan cries as she watches the 2014 World Cup semi-final between Brazil and Germany at a fan area in Brasilia(Imagem do Google)

 

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Comments ( 2 )

  • Se eu tivesse um pênis eu tiraria pra fora e ejacularia na cara do juiz. Sério mesmo. O grande problema é quem julga esses casos de abuso sexual e violência doméstica são os próprios abusadores. É difícil explicar para um homem branco e cis, padrãozinho da sociedade, que esse ato, não é só como se fosse um coco de pomba que cai na sua cabeça, é muito mais do que isso, é uma violência a nossa dignidade, ao nosso bem estar, a nossa liberdade.
    Lembro direitinho o medo que eu sentia todos os dias para ir para a escola naquele ônibus lotado, apesar de nunca ter me acontecido nada tão grave neste ponto. Lembro-me de sempre ficar na dúvida se escolhia o banco da janela ou se escolhia o do corredor. Afinal, se um homem sentasse ao meu lado e eu estivesse no banco da janela eu não teria como fugir, mas se eu tivesse no banco do corredor ele poderia esfregar o pênis sujo na minha cara.

    Não sabia se sentava perto do cobrador ou se sentava lá no final do ônibus, muitas vezes eu ficava de pé, quando o ônibus era daqueles que tinha posta dos dois lados, me encostava na porta que não abriria e ficava ali, de pé mesmo, melhor do que passar pelo constrangimento de um assédio, ou o trauma de um abuso.

    Sempre me perguntei se alguém me ajudaria se caso ruim acontecesse, porque eu ajudaria outra mulher se fosse necessário. Sempre que um homem sentava do meu lado eu me afastava ao máximo e mantinha a cara fechada, mas ao mesmo tempo buscava pessoas por ali que pudessem me ajudar, caso eu precisasse de ajuda.

    Meu medo ia além de assalto, meu medo era de algo muito maior, algo que mulheres convivem diariamente e eu me pergunto ATÉ QUANDO?
    Quando eu vou poder sair na rua sem medo?

    Acho engraçado o fato de que a mulher ainda é considerada um ser inferior ao homem. Eu não consigo entender como alguns podem ser tão ignorantes e achar que tudo é vitimismo nosso. Triste, mas a gente aprende a conviver, aprende a se privar de muita coisa, porque bem ou mal, sabemos que a culpa não é nossa mas que se acontecer, ninguém vai se importar

    Beijos, desculpa, me empolguei no comentário
    Pink Yuri | Pink is not Rose

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